domingo, 1 de abril de 2012

1º de Abril - Dia da mentira

Hoje, em homenagem ao dia da mentira, vou trazer um poema que mente e diz a verdade ao mesmo tempo.



Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

P.S: Agora leia de baixo para cima.

(Clarice Lispector)

domingo, 25 de março de 2012

Eu te amo tanto!



Eu te amo tanto que queria te fazer feliz todos os dias, eu queria que nunca, nada machucasse você. Eu te amo tanto que queria cuidar do seu coração para que nada de mal pudesse acontecer com ele. E eu tentaria curar cada cicatriz que ele tivesse, da vida inteira, para que você só tivesse marcar boas. Eu te amo tanto que eu te daria o meu coração, se ele já não tivesse dono, sem pedir o seu em troca. Eu sei que você cuidaria bem dele, para que nada de ruim me acontecesse. Eu te amo tanto que sou encantada pelo seu sorriso, seu charme, sua voz, sua sensibilidade e principalmente por você ser tão complicado. O que é simples me afasta, acho chato. Eu te amo tanto que acho lindo tudo que você faz, te acho um exemplo de homem e ao mesmo tempo te acho um menino. Eu te amo tanto que não tenho medo de sentir todo esse amor, que não confundo os sentimentos e não consigo esconder nada de você. Eu te amo tanto que te deixo livre para ir e vir na minha vida, que não cobro sua presença e mesmo assim sei que você estará aqui quando eu te chamar. Eu te amo tanto que sempre que você some, eu espero que você volte. Eu te amo tanto que te entendo, que guardo seus segredos e também confio em você. Eu te amo tanto que ate mostrava a vocês os meus textos, mesmo antes de saberem que eu escrevia. Eu te amo tanto que não me esqueço de nada que fizemos juntos. Eu te amo tanto que eu sei que você sente a força do meu amor. Eu te amo tanto que me identifico com você e as vezes, ate consigo sentir o que você sente. Eu te amo tanto que sei que esse amor só pode ser amizade verdadeira, tanto quanto se ama um irmão.

domingo, 18 de março de 2012

Ficou pra tras.



Então o tempo passou e fomos nos perdendo nele, nos caminhos que fizemos sozinhos e agora, não conseguimos mais nos encontrar. Quando foi que fomos para tão longe? E fomos encontrando outras pessoas, outros sorrisos, outros amigos. Como foi que o para sempre acabou? E agora, eu nem sei mais quando você vem ou por onde você anda, seus caminhos, aparentemente, estão muito longe dos meus. Eu sinto falta, mas nem mais quem você é, não sei mais se seriamos bons amigos ou se poderia ter sido diferente. Eu não me esqueci, mas também não quero ir atrás, podemos estragar tudo.  
As vezes a gente se encontra por ai, em meio a tantas viagens, tantos passeios que gostamos de fazer aos mesmos lugares, alguns amigos em comum e ai a gente finge que nada aconteceu, que somos os melhores amigos do mundo, que estamos no passado ou que nada mudou. E a gente tenta conversar, meia dúzia de palavras soltas e vazias, não conseguimos aceitar que estamos no passado e que agora, quase não nos conhecemos mais.

sábado, 17 de março de 2012

Passar ou Não Passar, eis a questão.

Olá pessoal! It's me, André!
  Semana que vem vou começar meu cursinho, e aí pensei: "Poxa, eu poderia fazer um post com dicas pra passar no vestibular!". Sei que isso foge à minha alçada, mas aqui vão algumas coisas pra quem vai fazer a UFRGS esse ano.

1 - A Regra de Ouro.
   Não existe fórmula mágica pra passar num vestibular. Ou você é um supergênio que passa de primeira sem estudar (tipo eu), ou você estuda. Um ano de antecedência é mais do que essencial, então se você está lendo isso não muito depois de ter sido pulblicado, corra para os livros agora magrão/magrona. Afinal, você precisa ler, entender, ver TV, jantar, ler denovo, fazer uma bateria de exercicios até fixar, dormir, estudar denovo e aí sim ir pro próximo conteúdo. Vamos lá, Bixo da UFRGS não é pra qualquer um.

2 - Leia.
  Se esta é a primeira vez que você vai ler um livro, tenho uma péssima notícia. Mas não se desespere! Ainda dá tempo de tirar o atraso e o pó do seu cérebro. Se você ainda tem tempo até o vestibular (mais de dois anos), começe com Machado de Assis e José de Alencar. Não é por eles serem mais fáceis que os outros, bem pelo contrário. Mas eles possuem uma linguagem "genérica" que se você aprender vai ligar muitas tochas no seu caminho da iluminação.
  Se você não tem tempo como o camarada acima, as leituras obrigatórias são o marco inicial. Encare as palavras difíceis como uma língua nova: Pesquise no dicionário as que você não entender, escreva-as se necessário, tente acoplá-las ao seu vocabulário. Enfim, leia.

3- Leia Mais.

Estudante de Medicina Bebê
  A UFRGS valoriza muito que sabe ler, mas valoriza muito mais quem sabe interpretar. Se você quer passar na universidade, tem que se lembrar que tem que fazer mais que os outros, e pra isso tem que ler mais que os outros. Primeiro, você tem que se livrar das obrigatórias. Se você é do tipo "leitura lerda", tente estipular uma quantidade mínima de leitura por dia. Por exemplo: Se o livro tem 100 páginas, tente ler 10, 20 ou 50 por dia (de acordo com a sua capacidade. Não se preocupe, ela aumenta com o tempo).
  Paralelamente, você deve se manter informado. Jornais (Por favor, diário gaúcho não!), Revistas e até Artigos Científicos da Nature podem te ajudar na hora de fazer uma prova. O que nos leva ao próximo tópico...

4 - Saiba Escrever.
  Sabe aquela dica que eu dei sobre os jornais e as revistas? Pois bem, tá na hora de achar uma utilidade prática pra todo esse conhecimento. Após ler alguma notícia grande, como uma nova descoberta científica ou a alta do preço do petróleo, escreva uma redação sobre isso. Se você não sabe por onde começar, pesquise um pouco e, mais importante, tenha uma opinião formada sobre o assunto.
  Desligue o corretor ortográfico do Word, você não terá essa mordomia na hora de fazer a prova. Se ainda assim estiver inseguro sobre o estilo de escrita, peça ajuda ao seu professor de português (se você estiver no colégio ainda, claro), aposto que ele não vai ver problema nenhum em corrigir a redação do aluno aplicado que você é! Pesquise na internet o modelo de redação que a UFRGS pede, isso pode ajudar bastante.

5 - As Técnicas de Estudo.                     
                                                                          Você após entender E.D.O
  Não use a decoreba! Entendeu?! Sem decorar! A Banca não está nem aí se você sabe todas as infinitas casas de π, se não souber aplicar isso. Então mãos à obra! Não estude só as matérias mais importantes do seu curso, porque a média da UFRGS é Harmônica. Isso significa que um aluno que tira 16 em todas as matérias tem mais chance de passar que um que tira 25 em quase todas e 0 em uma. 

  Quanto à matemática, a UFRGS pede que você saiba Geometria e Funções. Sem saber isso, nem tente, pois mais da metade da prova está baseada nesses conteúdos (inclusive em outras matérias, como Química, Física e até Geografia). 
  Agora chegamos na parte mais assustadoras: TCHAM, TCHAM! As fórmulas! AAAAAAAAAH (Pânico). Existe uma receita mágica nos livros de matemática que a maioria dos alunos ignora por conceberem de impossível entendimento ou chatas: As deduções. Se você não souber como chegar no apótema de um Hexágono inscrito numa circunferência a partir do raio da mesma, você pode usar simplesmente fórmulas mais simples, como a da circunferência. C = 2.π.r. Mas é aí que tá: Pra saber deduzir, ou você é um gênio ou você tem que saber os passos anteriores, e pra saber os exercícios anteriores você tem que ter feito muitos exercícios, ao ponto de ter decorado as fórmulas, como a da circunferência acima. É por isso que os professores dizem coisas do tipo: "Matemática é treino" e "Algumas fórmulas já tem que estar acopladas ao seu DNA se você está no 3º ano". Vamos lá, não é pra qualquer um deduzir a fórmula de Bhaskara, mas provavelmente você sabe ela de cór por ter resolvido tantos exercícios. É a mesma lógica. 



6 - A Temida Língua Estrangeira.

  Eu, graças aos meus pais, cheguei fluente em inglês quando fui fazer o vestibular. Se você está lendo isso e ainda tem um tempão (tipo uns 3 anos ou mais), corra para um cursinho de inglês agora! Se não teve a mesma sorte que eu ou o nerdão que está na 8ª e faz curso de inglês há décadas, tenho más notícias. Mas não se desespere. 

  Eu sei que o inglês é mais difícil, por sua distância do português, e é por isso que existe o ESPANHOL! ARIBA, ARIBA, SEÑORITA! (Também sou fluente em espanhol, mas quando fiz o vestibular escolhi o inglês). Não é por preferência nem nada, mas é que quase TODOS os livros de lingua estrangeira que você for ler na UFRGS vão ser inglês, não em espanhol. Então, se possível, escolha inglês (a não ser que você vá fazer uma Letras - Espanhol da vida, não vejo porque). Leia, adquira vocabulário e não fique nas regras gramaticais, aprenda a interpretar em inglês. 

  PS.: Escolher espanhol achando que é fácil porque é parecido com o português é uma furada. As línguas tem mais de 700 anos de tradições e peculiaridades às separando, fora que normalmente os textos são de Cervantes, Neruda, Márquez e outros grandões da literatura espanhola. Se você não consegue ler em português, imagina em espanhol!


7 - Dicas de última hora:

 * Verifique o local da prova: Hoje em dia a UFRGS tem um mapa de todos os seus Campus com os institutos e as salas, então pesquise no site deles. Se for no Campus do Vale, recomendo MUITO que você vá um mês antes ver o instituto e a sala correta. Isso vai garantir que você não fique uma pilha de nervos na hora de achar a sala.
                                                                               
                                                                   Você e [alguem] procurando sua sala
* No Ato: Evite ir fazer o vestibular como quem vai à um acampamento. Leve somente o básico: Lápis, borracha, caneta azul ou preta. Você vai precisar do seu documento de identidade na hora, e também poderá levar uma garrafa d'água e um relógio. Não abuse da regalia do relógio: Se não for possível levar um de ponteiros, leve um digital (evite). Pergunte ao fiscal se você pode utilizá-lo, pois eles são bem rígidos com equipamentos eletrônicos. Na verdade, eles são bem rígidos com qualquer coisa, então na dúvida pergunte à eles.

* Você pode ir ao banheiro. Levante a mão e relaxe, o fiscal vai saber do que se trate. Tome um ar, relaxe, tenha um colapso nervoso no banheiro e dê aquela mijada básica se for necessário. Só não abuse do seu direito, por favor.

* Não seja estúpido: Não fique com celular no bolso, não fique conversando com o amiguinho do lado por código Morse e, principalmente, NÃO COLE.

                                                     As Dicas do Mestre


* Acredite se quiser: Mascar um chiclete ajuda muito na hora de fazer uma prova. Há uma pesquisa da universidade de Oxford sobre isso (mas estou com preguiça de procurar agora). Enfim, acredite no mestre criatura! Vá comprar um Trident logo!

* Medite antes da prova: Eu e o Dalai Lama confirmamos que isso vai te ajudar muito. Não precisa ser um mestre da meditação: Apenas fique numa posição confortável na cadeira, feche os olhos, respire bem fundo e não pense em nada além do ar entrando e saido, entrando e saindo...

* As questões da UFRGS são de cinco alternativas: A, B, C, D e E. Se você respondeu todas e deixou uma na qual está em dúvida entre A e D, se houverem menos D's do que A's, há uma grande chance de D ser a sua letra. Eles fazem isso pra não permitir que aqueles babacas otários que pagaram Cem Contos de Réis pra fazer o vestibular seres que marcam todas as respostas B não tenham chance de acertar mais que 20% da prova. Mas cuidado! É melhor marcar 10 D's com 100% de certeza do que ficar calculando a quantidade balanceada de respostas.

* Questão Lida e Revisada é questão Pronta! Nada de mudar a resposta no último minuto. Normalmente, a primeira impressão é a correta.

Até semana que vem!
Ou até Janeiro!


sexta-feira, 16 de março de 2012

Marina, de Carlos Ruiz Zafón


Pra quem habituou-se ao estilo de Zafón em poucas páginas vai reconhecer em Marina o seu jeito de escrever. Eu me surpreendi muito com livros que li dele como A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo, que são posteriores a Marina. E além de mais extensos são também mais bem escritos. Não que Marina seja mal-escrito, mas faz parte do começo literário do escritor.

Lendo Marina eu comecei a entender o universo “Zafónico” de ambientar histórias. Neste livro, que ele considera o seu preferido, dos que já escreveu, ele usa, digamos assim, o mesmo esqueleto de história. Quem o ler também vai perceber. A começar pelo protagonista que, como nos outros dois livros, tem a visão da descoberta, da adolescência, pois também é um adolescente. Claro que em O Jogo do Anjo o personagem tem sua história contada por grande parte de sua maturidade, mas essa tática de Zafón em colocar um personagem que vê o mundo com a visão da turbulência hormonal da puberdade é característica dele. Em minhas pesquisas sobre livros anteriores a Marina descobri que os protagonistas também estão nessa fase da vida.

A história do livro gira em torno de Oscar Drái, um garoto que vive em um orfanato, e, em uma de suas escapadas de lá, descobre a existência de duas pessoas que mudarão sua vida. Trata-se de Marina e German. Rapidamente Oscar apaixona-se por Marina, eles se tornam amigos e começam a se aventurar juntos. E, em uma dessas aventuras, descobrem certas histórias do passado da cidade, novamente a Barcelona visionada por Zafón, que os interessam e despertam os aspectos detetivescos dos dois adolescentes. Aliados a segredos de personagens da cidade, e dos próprios protagonistas, vão se desvelando várias tramas intricadas em mistérios e mais mistérios, alguns muitos sombrios, que vão moldando o jeito de viver e o caráter de nosso protagonista.

O final do livro é surpreendente e reserva algumas descobertas ingratas aos leitores. Zafón consegue fazer a gente se apegar pelos personagens. E só lendo o livro inteiro dá pra perceber porque ele é tão curto e a história é tão condensada. Zafón adora usar essa imagem do passado em suas histórias, um passado que muitas vezes mostra estar bem presente, segredos que se revelados desmembram o entendimento e muitas vezes a solução de muitos mistérios.

Pode parecer repetitivo e mais do mesmo. E é. Por se tratar de um mesmo esqueleto de história. Porém, o escritor consegue inventar histórias diversas, que só são parecidas por serem contadas da mesma maneira.

É um livro altamente recomendável pra alguém que já tenha lido e gostado de Zafón. E pra quem gosta de histórias de literatura fantástica, também. O livro passeia por uma fantasia sombria que chega a assustar. É um suspense quase aterrorizante, mas nada que vá fazer ter pesadelos, porém algumas imagens chocam. Sou suspeito pra falar, pois gosto de Zafón, mas tenho apenas uma crítica sobre o livro. Nos primeiros capítulos há um personagem que com a leitura total do livro se percebe inútil à história, o amigo de Oscar, JF, pois ele desaparece antes de 15% do livro, e não tem participação incisiva na história.

Escrita adocicada, romances doces e juvenis, figuras estranhas e misteriosas e um passeio quase turístico por pontos vistos poeticamente da cidade de Barcelona; pontos fortes do livro, que encanta e distrai. Não é um livro denso. Para os mais experientes pode ser devorado em horas, ou no máximo em dois ou três dias. Mais uma dose de Zafón, que acabou sendo tão autêntico e facilmente reconhecido em sua maneira de contar histórias.

MARINA, de Carlos Ruiz Zafón (Marina; Tradução de Eliana Aguiar; Suma de Letras; 192 páginas; preço sugerido R$ 24,90)  ()